QUEM ACREDITA, SEMPRE ALCANÇA?

Foto: Géssica Hage – Editorial de ano novo para Valentina Mag

 

Mais um ano que bate em nossa porta para se despedir de nós, e com ele, antigas certezas se concretizam. O disco da cantora Simone deve fazer parte do repertório das lojas temáticas natalinas, e claro, o sentimento de esperança que sempre almejamos que cresça e que se fortaleça ainda mais no novo ano que se aproxima. Mas se a fé que alimentarmos for minúscula como um grão de mostarda, será o suficiente para que um milagre aconteça?

Se eu fosse me guiar apenas por esse argumento, acredito que seria ateu. Levando em consideração todas as experiências pessoais que presenciei nesse ano, chego a conclusão de que acredito em Deus. Eu só posso crer fielmente naquilo que vi e vivi e é com base nisso que formo as minhas próprias conclusões. Acredito porque quero acreditar. Acredito porque sou livre para acreditar no que quiser.

Eu entendo. Com os acontecimentos estapafúrdios cada vez mais presentes em nosso cotidiano,  parece até ser desnecessário acreditar na existência de um ser tão poderoso, mas impotente diante dessas situações. Com o progresso da ciência, e como consequência, o progresso da nossa civilização, as respostas antes fornecidas pelas crenças das ações divinas têm perdido suas influências.

Ainda não encontrei o meu propósito de vida, mas tenho claro comigo que não estou apto a ser um líder religioso. Não quero com isso induzi-lo a crer no que quer que seja, mas você sabia que o sol tem uma temperatura de 10.000 graus Fahrenheit, e que se fosse mais quente morreríamos queimados? Se ele estivesse mais perto de nós também morreríamos queimados.

O mundo está cheio dessas ‘coincidências’. De fato, existem vários conceitos que não podem ser cientificamente provados, mas que mesmo assim são bastante aceitos pela sociedade e os chamamos de verdades. Me diga: até agora alguém já conseguiu explicar o amor? Não podemos provar que ele existe fisicamente, a não ser pelas percepções experimentadas no corpo humano.

Enquanto muitos religiosos defendem a infalibilidade de Deus, os incrédulos acreditam que a única coisa infalível mesmo no mundo é o raciocínio. Os religiosos reafirmam com fervor inabalável o conteúdo dos livros sagrados. Os incrédulos, por outro lado, vibram com a evolução na ciência acadêmica. Quanto a mim? Gostaria de viver em um tempo onde o respeito ultrapassasse os limites impostos pelas diferenças e pela intolerância. Até lá, continuo tendo fé de que esse futuro existirá, pois quem acredita sempre alcança.

 

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